E mais um fim de semana veio e se foi tão rápido quanto um piscar de olhos, assim na escuridão da noite vou me preparando pra mais um dia. Uma longa semana de obrigações e rotineira monotonia. Preparo o coração, a maquiagem, as roupas alinhadas. Preparo a alma para o que vem a seguir. Setembro se finda, e as perspectivas para outubro confesso não serem as melhores. Setembro não me trouxe as flores costumeiras, o cheiro de infância e o sabor doce do meu mês, esqueceu-se que era meu, revoltou-se sabe-se lá com quê, e me trouxe apenas espinhos, um gosto amargo e o frescor do qual me lembro nem se quer veio até mim. Fico a espera de outubro, na esperança que ele frustre as minhas expectativas, que ao contrario do que eu penso,  que seja mais gentil, que me traga as flores que setembro me negou, e os sorrisos que calei. Que meu cansaço se vá com as lágrimas e que amanha tudo se aqueça com o sol. Inclusive dentro de mim.




E me perguntaram por que “refaço-me”, suspirei, e dei a única resposta que poderia. Porque quando escrevo eu me refaço.  Tenho mania de escrever quando estou em pedaços. A escrita funciona como uma cola, que vai juntando cada pedacinho fora do lugar. Escrever leva pra longe de mim todos os fantasmas que moram debaixo da minha cama. Se tem um momento em que posso dizer que me sinto inteira é quando escrevo. Por isso, eu me refaço a cada palavra escrita, a cada lágrima que molha o papel, ou sorriso que aquela frase escrita me trás. É a cura mais rápida e segura, pois sei que o papel e a caneta vão ser gentis às minhas palavras, não vão julgar meus medos bobos, e como disse Renato Russo não vão usar o que eu disse contra mim. Costumo dizer que uso as palavras como fuga. Melhor dizendo, é nelas que eu me encontro. Funcionam como um ponto de equilíbrio. É como a gravidade me puxando para o centro, para o meu centro.  Gosto de mergulhar nelas e nadar pelas belas páginas de um bom livro, ou apenas escrever, rabiscar palavras sem sentindo. Isso ajuda a esvaziar a minha cabeça. Escrever me refaz de dentro pra fora.


Cansaço
Desanimo
Dias que se repetem
Vida que segue sem saber pra onde
Vida que me leva, sem saber pra quê
Corpo, cabeça doem, tudo dói
Mais um café
Mais uma missão cumprida
Cinco horas de sono pra cumprir
E lá vou eu pra mais um dia
Mais incumbências
Mais cafés, mais sorrisos, e cansaço
Tudo se acumula
Deixe estar, quem sabe um dia transbordo.


Leia e deixe que cada palavra alimente a sua essência. Fale, mas busque usar palavras que fazem carinhos em quem ouve. Respire e sinta o ar expandindo seus pulmões e revigorando cada pedacinho do seu ser. Escreva como se sua sanidade dependa disso. Afinal, é para isso que a vida está ai, pra ser desfrutada intensamente até mesmo nas coisas mais simples e banais do cotidiano. Quantas  vezes nos esquecemos o quão maravilhoso é o ato de respirar, ou como é prazeroso ouvir aquela musica que leva seus pensamentos para longe, ou ate mesmo tomar aquele sorvete em um dia quente, observando o vai e vem das pessoas, sentada em um banco de praça ou shopping. Me atrevo a dizer que perdemos a concentração de nós mesmos, passamos os dias imersos em pilhas de papeis, lendo e relendo coisas, assimilando e defendendo teorias, que nem ao menos são nossas. Na maioria dos nossos dias, nos esquecemos do mais importante,  da gentileza. No olhar, nos atos, no sorriso. Ser gentio com o outro e consigo mesmo, deveria ser lei. No vai e vem da multidão nos esquecemos de sorrir e dizer ao porteiro, ao motorista do ônibus ou aquele desconhecido de olhar doce um bom dia, mas um bom dia verdadeiro, desses que começam com o olhar, um sorriso e só então se expressa em palavras. Deixamos de falar por gestos, passamos a acreditar que somente palavras são necessárias. Qual foi a última vez que você perguntou à alguém se estava tudo bem, mas perguntou com o coração, não no automático como fazemos todos os dias, não estou falando daquele que vem acompanhado do "oi", ou de um comprimento qualquer. Sinto que estamos perdendo aquela mania, se me permitem assim dizer, de ser cortês e generoso com quem nos cerca. Ser gentil, deveria virar mania, uma pandemia de gentileza, é isso que eu desejo para o mundo.


Hoje quero me jogar na cama, colocar um bom filme e comer aquele balde de pipoca sem culpa. Hoje não quero companhia nenhuma além da minha, vou fazer um café e ler aquele livro que tanto quero, saboreando lentamente a minha leitura. Vou tomar um banho demorado, lavar meu cabelo, massagear lentamente meu couro cabeludo, deixar que a água leve tudo de cansativo que vivi essa semana. Vestir aquela blusa larga e confortável, e para aquecer os pés vou colocar aquelas meias rosas que você acha graça. Amanha quem sabe a gente se vê, saímos e nos divertimos. Mas hoje, eu vou ser somente minha. 


Ele é malicioso e eu gosto disso. Na verdade não há muita coisa que eu não goste nele. Gosto do cabelo molhado após o banho, e da barba dois dias após ser feita, e o jeito que faz a minha pele arrepiar quando roça em meu pescoço. Gosto do jeito desajeitado quando me ajuda na cozinha, e da forma como sempre dá um jeito de me lambuzar inteira com algum ingrediente disponível. Gosto, quando ele me olha assim distraidamente, como que me devorando centímetro por centímetro fazendo arrepiar cada pelo do meu corpo. Gosto de observá-lo dormir e a maneira como o seu corpo relaxa. E sabe aquela mania chata de morder meu ombro quando eu to super concentrada lendo um livro? Pois bem, aqui vai, no fundo, eu amo esse jeito dele, de me puxar pra realidade, e me levar até ele. Os defeitos são enormes, mas esse texto não é pra isso. Ele diz que eu só faço isso, só vejo seus defeitos.
Mas, é porque esses são os mais fáceis de serem vistos no cotidiano. O que eu gosto, são dos detalhes, dos nossos, dos seus detalhes. Da maneira que ele tenta fazer um bom café, nas noites que eu sei que não vou dormir porque tenho muita coisa pra estudar, eu sempre digo que ficou ótimo (em sua maioria não é verdade), mas sempre tomo agradecida, por saber que tenho ao meu lado a criatura mais pirracenta do universo, mas que posso contar sempre, apesar das discussões. Passamos por mudanças, muitas ao longo desses anos e é incrível como nos mantivemos unidos, apesar de tudo o que enfrentamos. Mas quer saber o que eu mais gosto nele? É essa maneira nobre, gentil, errada e apaixonadamente linda de me amar. 



E mais uma vez lá vamos nós adiando nossos planos, adiando aquele final de semana somente para nós, adiando nossas vontades e tentando por nossos desejos na geladeira, para que possamos esperar mais um tempo sem se ver. Já estamos juntos a tempo o suficiente pra saber que isso nem sempre acaba bem, abstinência nunca funcionou para nós. E a falta que fazemos um ao outro é grande. Me pego varias vezes ao dia pensando em uma forma de acabar com isso e ir logo até você, mas sei também que no momento não é sensato. Pois bem, hoje percebi que esse dia eu quero comemorar somente com você, pois só os seus beijos me saciam, só as suas mãos são capazes de acalmar o calor do meu corpo. A tua língua sabe exatamente onde me tocar. O teu corpo conhece o ritmo do meu. Mas como é possível dois seres assim? Em nosso silêncio caber tanto sentimento? De fato somos duas cabeças duras, que teimamos em ficar próximos quando dá, e longe quando necessário, só que ultimamente o longe está demais e o próximo não nos alivia. A necessidade um do outro está aumentando e não podemos lidar com isso. Então só nos resta tocar o barco, içar as velas mais coloridas e deixar a maré e os ventos nos levarem conforme bem entenderem, rezando pra que nosso porto seja ao menos próximo daquele nosso mundo, mundo que criamos em uma bolha de ar entre a fantasia e o real. Aquele mundo onde as folhas são mais verdes e as flores as mais perfumadas e onde as tormentas não duram mais que o necessário. E que aqueles barcos envoltos em cores tão diferentes continuem atracando nos mesmos portos. 


Cuidar. 6 letras que podem dizer muito sobre as pessoas. Existem as pessoas que só sabem cuidar dos outros e esquecem de si, ou mesmo as que até tentam cuidar de si, mas é complicado, eu sei. Tem também aquela que só sabe ser cuidada, sem dar nada em troca. Cuidar exige muito mais que se doar, que se preocupar. Cuidar implica em conhecer antes de tudo os seus limites, até onde você pode ir, para cuidar de um ser, sem que se perca a sua essência. Por muito tempo, achei que cuidar era, colocar a dor do outro antes da minha, dar concelhos ótimos, que eu nunca os conseguiria por em pratica se fosse necessário. Mas percebi que cuidar de quem não sabe cuidar de mim, é masoquismo. Dedicar´-se a cuidar de alguém é, perceber que ao praticar tal tarefa, você está a cuidar antes de si, se ao dedicar o seu tempo a outrem te deixa chateado, aborrecido, e não te faz bem. Não fará bem também ao próximo. Acredito na teoria de que tudo o que fazemos tem e deposita uma energia no universo, a partir de nossas atitudes, passamos boas ou más energias. Cuidar implica em deixar transparecer aquilo que tem de melhor em si. C.U.I.D.A.D.O! Quantas vezes não ouvimos essa palavra e nem nós atentamos que elas representam mais que um alerta. As vezes, um 'se cuida' que vêm como um "queria ir ai cuidar de você, se você deixasse", ou um 'cuidado' que tá mais pra um "calma ai, você esta passando dos limites". Muitas vezes não percebemos, ou não queremos perceber em que tom essas palavras estão sendo empregadas, acho que isso é o que realmente imposta. O tom, o sentimento sonoro que está sendo transmitido à você, e se seus ouvidos estão bem "limpos" para ouvir como se deve, um "se cuida". Então, creio que quem ama, e é correspondido cuida, e com as melhores e mais intensas boas energias, pois, não é possível oferecer ao próximo aquilo que não se tem.