E me perguntaram por que “refaço-me”, suspirei, e dei a única resposta que poderia. Porque quando escrevo eu me refaço.  Tenho mania de escrever quando estou em pedaços. A escrita funciona como uma cola, que vai juntando cada pedacinho fora do lugar. Escrever leva pra longe de mim todos os fantasmas que moram debaixo da minha cama. Se tem um momento em que posso dizer que me sinto inteira é quando escrevo. Por isso, eu me refaço a cada palavra escrita, a cada lágrima que molha o papel, ou sorriso que aquela frase escrita me trás. É a cura mais rápida e segura, pois sei que o papel e a caneta vão ser gentis às minhas palavras, não vão julgar meus medos bobos, e como disse Renato Russo não vão usar o que eu disse contra mim. Costumo dizer que uso as palavras como fuga. Melhor dizendo, é nelas que eu me encontro. Funcionam como um ponto de equilíbrio. É como a gravidade me puxando para o centro, para o meu centro.  Gosto de mergulhar nelas e nadar pelas belas páginas de um bom livro, ou apenas escrever, rabiscar palavras sem sentindo. Isso ajuda a esvaziar a minha cabeça. Escrever me refaz de dentro pra fora.


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