E mais uma vez lá vamos nós adiando nossos planos, adiando aquele final de semana somente para nós, adiando nossas vontades e tentando por nossos desejos na geladeira, para que possamos esperar mais um tempo sem se ver. Já estamos juntos a tempo o suficiente pra saber que isso nem sempre acaba bem, abstinência nunca funcionou para nós. E a falta que fazemos um ao outro é grande. Me pego varias vezes ao dia pensando em uma forma de acabar com isso e ir logo até você, mas sei também que no momento não é sensato. Pois bem, hoje percebi que esse dia eu quero comemorar somente com você, pois só os seus beijos me saciam, só as suas mãos são capazes de acalmar o calor do meu corpo. A tua língua sabe exatamente onde me tocar. O teu corpo conhece o ritmo do meu. Mas como é possível dois seres assim? Em nosso silêncio caber tanto sentimento? De fato somos duas cabeças duras, que teimamos em ficar próximos quando dá, e longe quando necessário, só que ultimamente o longe está demais e o próximo não nos alivia. A necessidade um do outro está aumentando e não podemos lidar com isso. Então só nos resta tocar o barco, içar as velas mais coloridas e deixar a maré e os ventos nos levarem conforme bem entenderem, rezando pra que nosso porto seja ao menos próximo daquele nosso mundo, mundo que criamos em uma bolha de ar entre a fantasia e o real. Aquele mundo onde as folhas são mais verdes e as flores as mais perfumadas e onde as tormentas não duram mais que o necessário. E que aqueles barcos envoltos em cores tão diferentes continuem atracando nos mesmos portos. 


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