No espelho vejo refletida a minha bagunça. Sorrio ironicamente, lembrando-me das palavras da minha mãe: “Uma moça não dever ser bagunceira, nem bagunçada”. Sinto informa-lhe mãe, sou uma bagunça. Estou uma bagunça. Porém, vou lá, arrumo o cabelo, faço uma maquiagem, visto uma roupa confortável e adequada. Quem me vê, até pensa que sou a organização em pessoa. Está ai, a organização desejada por fora, mas, por dentro sou a bagunça que fica depois da passagem de um furacão, daqueles que não deixam, nada no lugar, carros, placas e casas, desses que faz os mares se agitarem e arrancam as árvores do seu lugar. Quem me olha, vê apenas uma leve brisa, a calmaria do meu sorriso, mas, para quem olha além, até consegue ver a profundidade no meu olhar. 





A chuva cai lá fora batendo no vidro da minha janela, marcando com suas gotas o vidro embaçado. Aqui dentro só o calor do meu cobertor e da xícara de café me aquece. A música que toca no meu celular me convida a dançar acompanhada da leitura do meu bom e velho livro que há tempos tento finalizar a leitura. Ajeito-me em minha cama, envolta do cobertor com os óculos de leitura e o café ao meu lado mergulho em um mundo belo e distante. O mundo em que por hora é onde quero estar, longe de tudo, até mesmo dos meus pensamentos que insistem em te buscar sei lá aonde e te trazer para perto de mim, como um fantasma perdido no tempo, vagando e arrastando suas correntes pra me fazer lembrar o quanto ainda é presente em minha vida. Mais uma pagina lida, ou foi um capitulo? Não lembro mais, não vejo as horas passarem, apenas sinto, divago sozinha em meus pensamentos pela noite fria e solitária que me lembra de você.