O meu corpo tornou-se sensível ao teu de tal modo que só de ouvir o teu nome desejo. Tornei-me prisioneira das tuas mãos, moradora do abrigo que há em teus braços. Faminta da carne dos teus lábios e sedenta pelo gosto da tua saliva. Ah, se tu soubesses como sou tua, não teimava em cobrar o que já é teu. Seriamos apenas a morada,o abrigo e a liberdade um do outro. 





    Eu te quis. Por um momento eu realmente te quis. Não pense que não demos certo por falta de querer. Acontece que a vida não é feita de impulsos, vontades passageiras e gostares instantâneos. É preciso muito mais que isso, é preciso tempo, pele, dar vazão ao desejo e ver até onde vai. Mas não tivemos isso. Fomos como aquelas velas de aniversário que queimam uma, duas vezes e mesmo insistindo em acender, sua chama dura pouco tempo. Nosso momento passou, nos perdemos e não fizemos mapas. Perdemos todos as rotas possíveis e só nos resta seguir, cada um o seu caminho, conhecendo e aprendendo com esses novos destinos. Aprendendo a gostar de outras pessoas, de outras formas e com outras intensidades. Seguimos, porque é esse o ritmo natural da vida.




    No espelho vejo refletida a minha bagunça. Sorrio ironicamente, lembrando-me das palavras da minha mãe: “Uma moça não dever ser bagunceira, nem bagunçada”. Sinto informa-lhe mãe, sou uma bagunça. Estou uma bagunça. Porém, vou lá, arrumo o cabelo, faço uma maquiagem, visto uma roupa confortável e adequada. Quem me vê, até pensa que sou a organização em pessoa. Está ai, a organização desejada por fora, mas, por dentro sou a bagunça que fica depois da passagem de um furacão, daqueles que não deixam, nada no lugar, desses que faz os mares se agitarem e arrancam as árvores do seu lugar. Quem me olha, vê apenas uma leve brisa, a calmaria do meu sorriso mas, para quem olha além, até consegue ver a profundidade no meu olhar. 



    Cansaço
    Desanimo
    Dias que se repetem
    Vida que segue sem saber pra onde
    Vida que me leva, sem saber pra quê
    Corpo, cabeça, tudo dói
    Mais um café
    Mais uma missão cumprida
    Cinco horas de sono pra cumprir
    E lá vou eu pra mais um dia
    Mais incumbências
    Mais cafés, mais sorrisos e cansaço
    Tudo se acumula
    Deixe estar, quem sabe um dia transbordo.




    Gostaria de dormir, por dias e só acordar quando tivesse ti tirado totalmente da minha vida, do meu coração, das minhas redes sociais, do meu convívio social, queria formatar meus pensamentos e tirar qualquer traço do vírus chamado ex, queria ter o poder de cura, sarar meu coração, curar feridas e apagar todas as cicatrizes que você causou. Quando eu te disse que eu ficaria bem, que eu não queria mais, que eu ia seguir em frente, não imaginei que fosse tão difícil, nós seguimos a nossa vida, mas não posso dizer que cumpri todas as minhas promessas, pois o tempo não me fez te esquecer, ainda existem traços de você em mim, tão profundos que eu já não sei mais se são seus ou meus, é engraçado quando lembro de você, da gente. Eu sinto falta, talvez nós não tenhamos vivido tempo o suficiente pra enjoar um do outro, talvez o encantamento inicial não tenha acabado e ai fica essa sensação de perfeito, do sem defeitos, vivo a me perguntar se dariamos certo, se seria tão bom se voltássemos, penso que não, por mais que eu ainda sinta a sua falta, mudamos muito, não nos reconhecemos mais, não conversamos mais, não nos queremos mais e mesmo assim ainda somos tão presentes, queria não sentir a sua presença, em especial nessas manhãs frias.